O que é a Psicoterapia de Orientação Psicanalítica?

Como o próprio nome sugere, é um tipo de psicoterapia que parte do entendimento teórico da psicanálise.
Para explicar melhor, vamos voltar a Sigmund Freud. Ele foi médico neurologista e é considerado o pai da psicanálise. O conceito de inconsciente não era novo, porém foi Freud quem desenvolveu a técnica psicanalítica, que consistia resumidamente em escutar o que seus pacientes tinham a dizer através da associação livre, ou seja, que falassem livremente sem qualquer tipo de filtro ou renúncia. Seus estudos ganharam relevância e foram o norte pra muitos outros estudos posteriores.
O trabalho de Freud tornou popular a imagem do paciente deitado no divã, enquanto o terapeuta sentado atrás dele faz anotações e pede que "fale mais sobre isso".
Essa é uma caricatura da psicanálise e baseia-se em fragmentos de sua história. Mas a psicanálise é, em essência, uma teoria complexa do funcionamento do psiquismo, e sua prática acontece de maneiras diversas.
Hoje, a psicanálise está muito além dos consultórios, mas também em hospitais, escolas, praças, etc.

Os estudos contemporâneos mostram que a técnica pode ser flexível e adaptativa para cada situação e para cada paciente. O que deve estar presente é o setting, ou seja, a disponibilidade sensível do terapeuta em escutar o que é comunicado pelo paciente. É no trabalho da dupla terapeuta e paciente que se pode escutar, questionar e reelaborar seus conflitos.
A grande contribuição da associação livre foi que, permitindo que o paciente fale livremente, se faz espaço para que os conteúdos inconscientes possam se manifestar. Eles não são claros aos ouvidos, soam como enganos, esquecimentos, pensamentos estranhos ao próprio sujeito.
Mas de que nos serve poder dar voz ao inconsciente? Os efeitos de uma análise são que, a partir do momento em que o paciente identifica um conflito existente dentro de si, há a possibilidade de sair da posição submetida para buscar novas saídas.